Truta Fário

Truta FárioNome Comum: Truta Fário
Nome Científico: Salmo Trutta
Família: Salmonidae
Ordem: Salmoniformes


       Conhecida, por uns, por truta de rio ou pinta vermelha e denominada por outros por truta-fário, esta espécie enquadra-se no quadro dos designados peixes teleósteos (ver secção “curiosidades”).

       Autóctone na Europa e de hábitos sedentários, a Salmo trutta fario pode ser encontrada em alguns dos nos nossos rios a Norte e Centro. Caminhando mais para Sul, somente se tornam localizáveis no troço superior do rio Zêzere e Sever.

       Tratando-se, desde muito cedo de uma espécie em via de extinção, foram lançados os primeiros alicerces a partir da década de 60.Foi levado a cabo a implantação de medidas rigorosas, não só para a sua conservação, bem como leis de fiscalização e protecção: Lei nº 2097 de 6 de Junho de 1959; Dec. Lei 44623/62 de 10 Outubro (Lei da Pesca); Dec. Lei 312/70 de 6 Julho (Lei da Pesca).

       Entre outras medidas relevantes, o repovoamento dos rios de passagem em áreas protegidas, foi a que mais se destacou porque, não só permitiu a sua permanência no nosso País, nomeadamente a Norte, assim como a salvaguardou da extinção definitiva. Actualmente, podemos observa-las praticamente em todos os Parques Nacionais e Reservas, por exemplo no Parque Nacional da Peneda-Gerês, Montesinho, etc.

       Como é de conhecimento geral, esta belíssima espécie tem como habitat natural, cursos de água com leitos pequenos, médios e por vezes grandes, dependendo da espécie (por exemplo a Truta-arco-íris - Oncorhynchus mykiss). De personalidade forte e de hábitos territoriais, daí de ser difícil “sacar”, têm a preferência, principalmente ao final do dia, “serenar “ em locais pouco profundos, com sombra e junto ao leito do rio e de posição a montante. Quando activas, o melhor é iscar em zonas de corrente ou muito perto de pequenas “cascatas” aonde as águas se apresentam com alto teor de oxigénio, límpidas e frias.

       Contudo, esta espécie é muito sensível à poluição das águas, nomeadamente aos resíduos de pesticidas e herbicidas utilizados por muitos agricultores. Entretanto, foi descoberto que o aumento da temperatura das águas, também provoca efeitos devastos.

       De acordo com os especialistas, a característica física que mais sobressai é a sua cabeça e olhos grandiosos, queixadas com dentes fortes em que a queixada superior ultrapassa a altura subsequente dos olhos.

       Análogo à idade e o meio onde habita, a sua pigmentação revela-se oscilante principalmente no dorso que pode assumir, em determinadas horas do dia, cores castanhas a cinzentas. De ilharga esverdeada/amarelada e pança esbranquiçada, o restante do corpo surge sarapintado por pintas negras e vermelhas. Pontualmente e na extremidade das suas barbatanas, quer as dorsais, quer a caudal, apresentam o “rebordo” laranja claro.

       De longevidade de 30 anos, pode atingir o máximo de 90 cm e 15 kg.

       Ao longo da sua vida, voraz que é, alimenta-se de pequenos peixes, por vezes da sua espécie, ovas, larvas e diversos insectos, quer os designados “insectos aquáticos”, tais como os alfaiates, quer os que caiem nas águas, por exemplo as moscas, etc.

       Por norma, procede à migração no sentido montante do rio. Essa migração consiste na busca de sítios que reúnam as condições para a postura, ou seja, sítios não muito fundos, com bastante pedras, pouca corrente cujas águas sejam frias e ricas em oxigénio. Uma vez localizado o sítio, mais propriamente no leito do rio, a fêmea escava pequenas depressões e deposita os seus ovos. Este acontecimento ocorre entre os meses de Outono e Inverno.

       O seu período de defeso é de 1 de Agosto ao último dia do mês de Fevereiro, existindo alterações regionais e locais. A sua medida mínima de captura são 19 cm.


Ocorrência e distribuição

Continente
        Carácter
              • Autóctone
              • Migrador
              • Sedentário/Residente

        Áreas Protegidas
              • Parque Nacional da Peneda-Gerês
              • Parque Natural da Serra da Estrela
              • Parque Natural da Serra de S. Mamede
              • Parque Natural de Montesinho
              • Reserva Natural da Serra da Malcata

Distribuição
       • Zona Norte: Bacias do Minho, Lima, Cávado, Ave, Douro
       • Zona Centro: Bacias do Vouga e Mondego.
       • Zonas de Lisboa/Vale do Tejo: Bacia do Tejo.


BIBLIOGRFIA
       • Palavras-chave: Alimentação; Biologia Geral; Distribuição.
       ALMAÇA C. (1995) Fish species and varieties introduced in Portugal. Biol. Conserv. 72: 120-130 pp.
       CORTES, R.M.V. & A. MONZÓN. s/ data. Monografia dos sectores médio e superior da Bacia do Douro: caracterização física, ecológica e socio-económica. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 76-77 pp.
       VALENTE, A. & M. HELAND (1990). Observations sur le comportement alimentaire de la population de truites communes, Salmo trutta L. dans la rivière Estorãos, Portugal. Bull. Fr. Pêche Piscic. 318: 133-145 pp.
       VALENTE, A. (1984) Primeiros dados sobre a população de Salmo trutta L. num pequeno rio do norte de Portugal. I Jornadas Nacionais da Vida Selvagem e dos Habitats Naturais (NPEPVS). 28.4 - 1.5.84, Porto. 267-284 pp.
       VALENTE, A. & P.J.B. ALEXANDRINO. (1988) La ictiofauna del embalse de Bemposta (Rio Duero, Portugal). IV Congresso Español de Limnologia, Sevilla. 352-360 pp.
       VALENTE, A.; N. FORMIGO & C. MAIA (1994) A ictiofauna das lagoas do Parque Natural da Serra da Estrela. II Seminário: Técnicas de Conservação da Natureza na Serra da Estrela. Guarda. 66-76 pp.
       ROGADO, L. (1992) Inventariação e estudo das populações ictiológicas do Parque Nacional da Peneda-Gerês. 7º Relatório SNPRCN, Lisboa. 23-24 pp.

Legislação:
       Lei nº 2097 de 6 de Junho de 1959.
       Dec. Lei 44623/62 de 10 Outubro (Lei da Pesca).
       Dec. Lei 312/70 de 6 Julho (Lei da Pesca).

Escrito por: Lídia Azevedo Data: 2012-05-14

Anexos